Empresário que deu origem à Operação Delivery mantinha mais de R$ 30 milhões em contratos com a Prefeitura de Murici
Prisão em flagrante de Diogo José Andrade Romão deu origem à investigação da Polícia Federal, que apura suposto esquema de corrupção em obras públicas no município administrado por Remi Filho
Francês News
A prisão em flagrante do engenheiro civil, empresário e agropecuarista Diogo José Andrade Romão, em novembro de 2025, deu origem à Operação Delivery, deflagrada nesta terça-feira (28) pela Polícia Federal (PF) com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo a investigação, o empresário mantinha mais de R$ 30 milhões em contratos vigentes com a Prefeitura de Murici, administrada pelo prefeito Remi Filho (MDB), sobrinho do senador Renan Calheiros (MDB) e primo do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).
De acordo com a Polícia Federal, a maior parte dos contratos estava relacionada à construção e reforma de escolas e quadras esportivas, executadas com recursos públicos federais. As investigações apontam indícios de um suposto esquema de corrupção envolvendo pagamento de vantagens indevidas, favorecimento em licitações e fornecimento de informações privilegiadas durante a contratação e execução das obras.
A apuração começou após Diogo José Andrade Romão ser preso em flagrante dentro da Secretaria Municipal de Finanças de Murici, transportando R$ 270 mil em espécie. Conforme o inquérito, no momento da abordagem ele informou aos policiais que tinha reuniões agendadas com o secretário municipal de Finanças e com um fiscal de contratos.
Meses antes da prisão, o empresário também participou de uma reunião em Brasília com o então ministro dos Transportes, Renan Filho. O encontro foi divulgado pelo próprio Diogo Andrade nas redes sociais, em publicação posteriormente apagada, na qual afirmou que discutiu "obras e desenvolvimento" para Alagoas. À época, reportagens informaram que a agenda não constava entre os compromissos oficiais do ministério.
Segundo a Polícia Federal, ao longo da investigação foram identificados indícios de que servidores públicos municipais solicitavam vantagens indevidas e recebiam percentuais sobre contratos relacionados às obras de escolas e quadras esportivas. Em contrapartida, haveria fornecimento de informações privilegiadas e favorecimento de empresas em processos licitatórios.
Nesta fase da Operação Delivery, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Murici e Maceió. A Justiça também determinou o sequestro de R$ 1.301.762,59 em bens e valores e o afastamento cautelar de servidores investigados.
Durante as diligências, os agentes apreenderam R$ 123 mil em espécie, US$ 1.697, 7.345 euros e 550 libras esterlinas, totalizando aproximadamente R$ 178.048,31.
Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e associação criminosa, conforme o avanço das investigações.
A Controladoria-Geral da União informou que participa da Operação Delivery para aprofundar a apuração sobre o possível desvio de recursos públicos federais destinados às obras em Murici.
O órgão orienta que denúncias relacionadas à operação ou a outras irregularidades envolvendo recursos públicos podem ser encaminhadas por meio da plataforma Fala.BR, administrada pela Ouvidoria-Geral da União. O sistema permite o envio de denúncias, inclusive de forma anônima.
Até a publicação desta reportagem, a Polícia Federal não atribuiu responsabilidade criminal ao prefeito Remi Filho nem a outros integrantes da família Calheiros no âmbito da Operação Delivery. A Prefeitura de Murici e a defesa de Diogo José Andrade Romão também não haviam se manifestado sobre a nova fase da investigação.