Sócio de clínica investigada pela PF recebeu R$ 40 mil como médico da Prefeitura de Porto de Pedras, mostram contracheques
Documentos da folha de pagamento de junho de 2025 revelam que administrador da antiga Clínica NOT, hoje Hospital NOT, recebeu a remuneração pela Secretaria Municipal de Saúde
Francês News
Um dos administradores da antiga Clínica Núcleo de Ortopedia e Traumatologia (NOT), atual Hospital NOT, empresa investigada pela Polícia Federal na Operação Estágio IV, recebeu R$ 40 mil da Prefeitura de Porto de Pedras como médico plantonista da Secretaria Municipal de Saúde. A informação consta em documentos da folha de pagamento referentes ao mês de junho de 2025, obtidos pelo Francês News.
Os contracheques apontam que Reinaldo Fernandes Júnior foi contratado temporariamente como médico plantonista, com admissão em 1º de junho de 2025, recebendo R$ 40 mil líquidos, referentes a plantões de 24 horas, sem registro de descontos na folha.

Além de Reinaldo Fernandes Júnior, os documentos mostram que outros dois médicos plantonistas também receberam remunerações elevadas no mesmo período. Nerivan Calado Barbosa recebeu R$ 35 mil, enquanto Josué Omena Barbosa Júnior recebeu R$ 30 mil. Somados, os pagamentos aos três médicos alcançaram R$ 105 mil apenas na competência de junho de 2025.

Embora os pagamentos aos médicos não configurem, por si só, qualquer irregularidade, o caso de Reinaldo Fernandes Júnior chama atenção por sua ligação com a antiga Clínica NOT, atualmente Hospital NOT, uma das empresas investigadas pela Polícia Federal na Operação Estágio IV.

A investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Conforme relatórios da corporação já divulgados pelo Francês News, a antiga Clínica NOT é suspeita de registrar mais de 42 mil atendimentos de fisioterapia considerados irregulares em apenas dois meses, fato que levou à abertura das investigações.
Os relatórios também apontam interceptações telefônicas em que investigadores mencionam aumento expressivo de procedimentos realizados pela clínica e fazem referência à expressão "parte do doutor Gustavo", considerada pela Polícia Federal como um dos elementos que sustentam a apuração sobre a participação do então secretário estadual de Saúde, Gustavo Pontes.
As investigações ainda descrevem suspeitas de utilização de recursos públicos para pagamento de despesas pessoais, aquisição de uma Toyota SW4 avaliada em aproximadamente R$ 430 mil, despesas superiores a R$ 328 mil em fazendas, além da compra de uma mansão de cerca de R$ 1,69 milhão por uma mulher apontada pela Polícia Federal como suposta amante do secretário investigado.
Outro relatório da Operação Estágio IV também afirma que Gustavo Pontes teria financiado a campanha de um aliado político que utilizou o nome "Dr. Gustavo" nas urnas, além de apontar que um homem identificado pelos investigadores como possível "laranja" permanece ocupando cargo público no Governo de Alagoas com salário de aproximadamente R$ 7 mil mensais.
Reportagens anteriores do Francês News também mostraram que a Clínica NOT passou por um processo de expansão até se transformar em hospital, após receber milhões de reais em contratos firmados com a Secretaria de Estado da Saúde.
Até o momento, não há informação de que o vínculo funcional de Reinaldo Fernandes Júnior com a Prefeitura de Porto de Pedras seja objeto específico da investigação conduzida pela Polícia Federal. No entanto, os documentos revelam que um dos administradores da empresa investigada exercia simultaneamente a função de médico plantonista na rede municipal de saúde, recebendo remuneração de R$ 40 mil no período analisado.
O Francês News deixa o espaço aberto para manifestações de Reinaldo Fernandes Júnior, da direção do Hospital NOT, da Prefeitura de Porto de Pedras e dos demais citados na reportagem.