Assembleia de Alagoas já gastou 80% do orçamento previsto para 2026 no primeiro semestre
Despesas da Assembleia Legislativa chegaram a R$ 266,17 milhões até junho, enquanto orçamento inicial para todo o ano é de R$ 332,57 milhões
Francês News
A Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) já gastou R$ 266,17 milhões em despesas nos seis primeiros meses de 2026, segundo os balancetes do Siafe Alagoas analisados pelo Francês News. O valor corresponde a aproximadamente 80% da dotação inicial de R$ 332,57 milhões prevista para todo o ano. Os dados mostram ainda que o Legislativo estadual havia empenhado R$ 275,38 milhões e liquidado o mesmo valor até junho.
O levantamento considera os balancetes acumulados de janeiro a junho. No primeiro mês do ano, a Assembleia havia pago R$ 49,19 milhões. Em fevereiro, o acumulado chegou a R$ 112,36 milhões; em março, a R$ 172,88 milhões; em abril, a R$ 204,79 milhões; e em maio, a R$ 215,66 milhões. Em junho, os pagamentos acumulados saltaram para R$ 266,17 milhões.
A velocidade de execução chama atenção porque, considerando apenas a dotação inicial, restavam cerca de R$ 66,4 milhões para atingir o limite orçamentário originalmente estabelecido para o exercício. O percentual de 80% não significa, porém, que a Assembleia necessariamente ficará sem recursos até o fim do ano, já que o orçamento pode ser alterado por créditos adicionais e outros ajustes. Os documentos analisados não detalham essas eventuais alterações.
As despesas correntes concentram praticamente todo o dinheiro executado. Até junho, foram empenhados R$ 275,34 milhões nessa categoria, enquanto as despesas de capital somaram apenas R$ 59,1 mil. A dotação inicial previa R$ 314,57 milhões para despesas correntes e R$ 18 milhões para despesas de capital.
Dentro das despesas correntes, um dos maiores valores está relacionado às gratificações pelo exercício de cargos em comissão. Até junho, essa rubrica acumulava R$ 142,63 milhões empenhados e R$ 133,43 milhões pagos. O valor empenhado já supera a dotação inicial indicada para essa despesa, de R$ 106,93 milhões.
Outro dado que chama atenção é a baixa execução dos investimentos. Dos R$ 18 milhões inicialmente previstos para despesas de capital, apenas R$ 59,1 mil haviam sido empenhados e pagos até junho, destinados a obras em andamento e mobiliário.
Os números abrem espaço para novos questionamentos sobre a composição das despesas da Assembleia, principalmente em relação ao crescimento dos gastos com pessoal, gratificações e benefícios. O detalhamento dos pagamentos por servidor, empresa e favorecido será necessário para identificar quem recebeu os recursos e quais contratos ou atos administrativos estão por trás dos valores registrados no primeiro semestre.