Geral
absurdo

Em meio ao caos na saúde, Sesau adia até 2028 obra de R$ 202 milhões de hospital em Arapiraca

Nova prorrogação do Hospital Metropolitano do Agreste ocorre enquanto a segunda maior cidade de Alagoas enfrenta crise nas maternidades e redução da assistência a gestantes

Por Francês News

A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) prorrogou novamente o prazo de construção do Hospital Metropolitano do Agreste, em Arapiraca. A obra, que já recebeu mais de R$ 202 milhões em investimentos previstos no contrato, agora terá vigência estendida até setembro de 2028.

A nova prorrogação ocorre em meio à crise na assistência à saúde em Arapiraca, especialmente no atendimento obstétrico. A segunda maior cidade de Alagoas enfrenta dificuldades após maternidades deixarem de realizar partos, reduzindo a rede disponível para gestantes e concentrando a assistência em outras unidades.

O novo aditivo foi publicado no Diário Oficial do Estado e amplia por mais 24 meses a vigência do contrato com o Consórcio Hospital Arapiraca. O prazo de execução da obra também foi prorrogado por mais 18 meses. Com isso, a vigência contratual, que terminaria em setembro deste ano, passa a valer até 30 de setembro de 2028.

Obra já ultrapassa R$ 202 milhões

O Hospital Metropolitano do Agreste teve o valor do contrato elevado para R$ 202.817.867,11, após um reajuste de R$ 8.588.689,65 publicado em 2025. Antes do acréscimo, o valor contratual era de R$ 194.229.177,46.

Na época do reajuste, a previsão era de que a unidade fosse concluída até dezembro de 2026. Agora, porém, um novo aditivo amplia significativamente o cronograma contratual.

A obra é uma das principais apostas do Governo de Alagoas para ampliar a rede hospitalar do interior e reforçar a assistência em Arapiraca, município que atende não apenas sua população, mas também pacientes de diversas cidades do Agreste e Sertão.

Crise nas maternidades

A nova prorrogação ocorre em um momento especialmente delicado para a saúde de Arapiraca. Conforme mostrou o Francês News, maternidades como Santa Maria, Afra Barbosa, Nossa Senhora de Fátima e CHAMA deixaram de realizar partos, provocando questionamentos sobre a rede disponível para atender mulheres em trabalho de parto.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, a candidata a deputada estadual Débora da Saúde criticou a situação e resumiu a preocupação de famílias da região ao questionar: “Se uma mulher entrar em trabalho de parto hoje, onde é que ela vai ter o seu filho?”

O Hospital Regional de Arapiraca permanece como uma das principais referências para gestantes, especialmente nos casos de maior complexidade. Ao mesmo tempo, a redução da oferta de serviços obstétricos em outras unidades aumentou a preocupação sobre a capacidade da rede de absorver toda a demanda.

O novo adiamento do Hospital Metropolitano do Agreste reforça, portanto, o contraste entre uma das maiores obras da saúde pública anunciadas para o interior e a situação enfrentada atualmente pela população. Com um contrato superior a R$ 202 milhões e novo prazo até 2028, a unidade que deveria ampliar a capacidade hospitalar da região continuará em construção justamente enquanto Arapiraca enfrenta uma crise na assistência às gestantes.