Ministério da Justiça demite Eduardo Bolsonaro da PF por abandono de cargo e sela ruína política do ex-deputado
Cassado na Câmara e condenado no STF a regime semiaberto com inelegibilidade até 2038, filho de ex-presidente perde vínculo com a Polícia Federal após faltar por mais de 30 dias consecutivos
Francês News
O Ministério da Justiça oficializou nesta segunda-feira (21/9) a demissão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF). O desligamento definitivo do serviço público foi fundamentado na infração disciplinar de abandono de cargo, consumada após o ex-parlamentar acumular mais de 30 dias consecutivos de faltas injustificadas.
A portaria que cravou a demissão foi assinada pelo ministro Wellington Lima e Silva na última sexta-feira (18/9) e veiculada na edição do Diário Oficial da União (DOU) desta segunda. O ato administrativo põe fim ao vínculo funcional de Eduardo com a corporação — carreira com vencimentos iniciais superiores a R$ 14 mil —, da qual estava afastado para exercer o mandato parlamentar.
A demissão da PF representa mais uma cartada no colapso político e jurídico de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado teve o mandato cassado pela Câmara em 18 de dezembro do ano passado, ao estourar o limite constitucional que proíbe ausência em mais de um terço das sessões deliberativas. Morando nos Estados Unidos desde o início de 2025 sob a alegação de persegução política, o filho do ex-presidente acabou deixando a cadeira no Congresso e, consequentemente, o escudo que justificava seu afastamento da Polícia Federal.
A derrocada na esfera administrativa ocorre em paralelo ao cerco final no Supremo Tribunal Federal (STF). Na última sexta-feira (18/9), a Primeira Turma do STF rejeitou, por unanimidade, o recurso da defesa e manteve a condenação do ex-parlamentar a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além de impor 12 anos de inelegibilidade, deixando-o fora de disputas eleitorais até 2038.
Seguindo o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, acompanhado por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, a Corte confirmou a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a denúncia, Eduardo usou sua articulação junto ao governo Donald Trump nos EUA para pressionar e ameaçar ministros do STF com retaliações internacionais, na tentativa desesperada de travar a condenação do pai, Jair Bolsonaro, na trama golpista — na qual o ex-presidente acabou apenado com mais de 27 anos de prisão.