Consultor financeiro alagoano alerta para riscos das bets após decisão de Lula de proibir apostas no Brasil
Redação
As apostas online, conhecidas como bets, ganharam espaço no Brasil nos últimos anos e passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas. Com plataformas acessíveis pelo celular e ampla divulgação em transmissões esportivas, televisão e redes sociais, a promessa de ganhos rápidos acabou atraindo cada vez mais apostadores.
O problema aparece quando a aposta deixa de ser apenas uma forma de entretenimento e passa a ser vista como alternativa para complementar a renda ou resolver dificuldades financeiras. Nesse cenário, o dinheiro utilizado nas apostas pode comprometer recursos destinados a contas, dívidas e despesas básicas da família.
O tamanho do mercado também chama atenção. Somente no primeiro semestre de 2026, as empresas de apostas autorizadas registraram cerca de R$ 20,07 bilhões em receita bruta. O valor representa a diferença entre o total apostado e os prêmios pagos aos jogadores.
Diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou, em 25 de setembro de 2026, a Medida Provisória nº 1.394, que determina a proibição da oferta e da publicidade das apostas de quota fixa no Brasil, incluindo apostas esportivas e jogos online abrangidos pela medida. A MP prevê um período de transição para a saída das plataformas e regras para a devolução de valores aos apostadores. Por se tratar de uma medida provisória, o texto ainda será analisado pelo Congresso Nacional.
Para o economista e consultor financeiro alagoano Frank Barreiros, o crescimento das bets trouxe impactos que vão além do entretenimento e podem atingir diretamente o orçamento das famílias.
“O crescimento das bets tem afetado a vida financeira de muitos brasileiros. Quando o orçamento já está apertado, a promessa de dinheiro rápido pode fazer a aposta parecer uma solução. Mas apostar não é uma estratégia para sair das dívidas. Mesmo depois de um prêmio, a pessoa pode continuar jogando para tentar ganhar novamente ou recuperar perdas, comprometendo recursos que fazem falta para suas necessidades e seus objetivos. A educação financeira ajuda a reconhecer esse risco, mas quem já perdeu o controle sobre as apostas também precisa de acolhimento e cuidado”, afirma Frank.
Segundo o consultor, a decisão do governo também reforça a necessidade de discutir a relação dos brasileiros com o dinheiro e os riscos envolvidos nas apostas.
“Essa decisão traz o tema para o centro do debate público, mas também deixa uma lição para a vida financeira: o dinheiro destinado às contas e aos planos da família não deve ser colocado em risco na expectativa de um ganho incerto. Reconhecer essa diferença é um passo importante para proteger o orçamento”, reitera Frank Barreiros.