Promotor alerta para PCC, CV e pistolagem em concurso da Polícia Civil e teme pela segurança da família
Membro do Ministério Público de Alagoas afirma ter recebido informações sobre possíveis tentativas de infiltração de pessoas ligadas a organizações criminosas no certame e pede atuação institucional especializada
Por Redação com Francês News
Um alerta sobre a possível infiltração de integrantes ou pessoas ligadas a organizações criminosas na Polícia Civil de Alagoas levou um promotor de Justiça a manifestar preocupação até mesmo com a segurança de sua própria família. O caso foi exposto em documento publicado no Diário Oficial do Ministério Público de Alagoas, nesta quarta-feira (26).
No ofício encaminhado ao procurador-geral de Justiça de Alagoas, Lean Antônio Ferreira de Araújo, o promotor Coaracy José Oliveira da Fonseca relata ter recebido informações que considera consistentes sobre possíveis tentativas de ingresso, por meio do concurso da Polícia Civil, de pessoas vinculadas a estruturas criminosas, incluindo grupos de pistolagem e integrantes ou pessoas relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
O promotor ressalta, no entanto, que as informações ainda precisam ser confirmadas ou descartadas por meio de investigação especializada. O documento não afirma que integrantes das organizações criminosas tenham efetivamente conseguido ingressar na Polícia Civil, mas registra a preocupação do membro do MPAL com a existência de informações sobre possíveis candidatos ligados ao crime organizado.
Medo pela segurança da família
No documento, Coaracy José afirma que não dispõe de condições funcionais para enfrentar isoladamente organizações criminosas ou estruturas de pistolagem. O promotor também manifesta preocupação com a possibilidade de que sua atuação represente riscos para sua segurança pessoal e para seus familiares.
A manifestação ocorre no contexto das discussões sobre mecanismos de controle e prevenção de fraudes e irregularidades em concursos públicos. Para o promotor, a gravidade das informações exige atuação institucional e investigação por órgãos especializados, em vez de uma ação individual sem estrutura adequada.
O alerta ganha ainda mais relevância por envolver o concurso da Polícia Civil de Alagoas, responsável pela formação de novos servidores que poderão atuar diretamente em investigações e no combate ao crime organizado no estado.
Caso no sistema prisional é citado
Para reforçar a preocupação, o promotor menciona no documento situações anteriores envolvendo o ingresso de pessoas no sistema de segurança sem a realização de concurso público. Um dos casos lembrados é o de 891 pessoas que exerciam funções no sistema penitenciário sem concurso.
O documento também cita o caso de Albino Santos de Lima, posteriormente identificado como autor de uma série de homicídios em Maceió. Para o promotor, episódios desse tipo demonstram a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de controle e investigação sobre pessoas que pretendem ocupar funções ligadas à segurança pública.
A preocupação exposta pelo membro do MPAL vai além da prevenção de fraudes tradicionais, como vazamento de provas ou uso irregular de dispositivos eletrônicos. O alerta aponta para um risco mais grave: a possibilidade de que pessoas eventualmente vinculadas a estruturas criminosas tentem utilizar concursos públicos para ingressar em órgãos estratégicos do Estado.
A publicação ocorre em um momento de atenção reforçada aos concursos estaduais. Na mesma edição do Diário Oficial do MPAL, foram divulgadas medidas preventivas relacionadas a certames públicos, incluindo mecanismos para identificar possíveis irregularidades e padrões anormais nos resultados.
O conteúdo do ofício, contudo, chama atenção por expor uma preocupação direta com o possível avanço de organizações criminosas sobre estruturas do poder público — e pelo fato de o próprio promotor afirmar que teme pela segurança de sua família diante da gravidade das informações que chegaram ao Ministério Público.
O caso deverá depender de apuração especializada para confirmar ou descartar as informações relatadas pelo promotor.