“Passei dois dias com ele morto na barriga”, denuncia gestante transferida sem leito em Alagoas
Gleisiane afirma que chegou à Maternidade Santa Mônica com contrações, passou horas em uma cadeira e só foi submetida à cesárea após cobranças da família
Por Francês News
Uma gestante de Penedo denunciou ao Francês News uma sequência de problemas no atendimento recebido após ser transferida do Hospital Regional de Penedo para a Maternidade Escola Santa Mônica, em Maceió. Gleisiane afirma que viajou sentindo contrações, chegou à capital sem encontrar leito disponível e permaneceu durante horas em uma cadeira na recepção.
A transferência ocorreu depois que exames identificaram uma elevação na taxa de glicose da paciente. Segundo Gleisiane, a justificativa apresentada foi de que ela precisaria receber medicação na capital.
“Fui o caminho todinho sentindo contração. Fiquei até quatro e pouco da manhã na recepção, na cadeira da recepção”, relatou.
A paciente afirma que exames de sangue foram coletados ainda na recepção e questiona as condições em que o procedimento foi realizado. Após receber insulina, ela foi encaminhada para fazer um ultrassom. Foi durante o exame que recebeu a notícia de que o bebê estava morto.
Gleisiane contou que chegou à Santa Mônica sem uma vaga previamente assegurada. Além de relatar o próprio sofrimento, a paciente afirmou ter encontrado outras gestantes nos corredores da unidade.
“Atendimento horrível e gestantes no corredor”, declarou.
Depois da confirmação do óbito fetal, Gleisiane esperava que a retirada do bebê fosse realizada com urgência. Segundo ela, entretanto, o procedimento não foi feito imediatamente por falta de leito.
“Fui atrás do médico, chamei a atenção porque até aquela hora eu não tinha feito. Ele disse que não tinha leito, que o problema era que não tinha vaga”, contou.
A gestante afirma que permaneceu durante dois dias com o bebê morto no útero. A cesárea teria sido realizada somente na sexta-feira, depois que a irmã passou a cobrar uma providência da equipe médica.
“Eu passei dois dias com ele morto na barriga. Vieram fazer na sexta-feira uma cesárea porque a minha irmã foi em cima deles”, afirmou.
Após o procedimento, de acordo com a denúncia, Gleisiane teria ficado em uma maca no corredor por causa da falta de vagas na maternidade.
O relato também levanta dúvidas sobre a transferência do Hospital Regional de Penedo para Maceió. A paciente suspeita que tenha sido encaminhada sem a confirmação prévia de um leito na Santa Mônica e questiona a condução adotada pelas duas unidades.
“A primeira falta de cuidado já foi aqui”, afirmou a irmã de Gleisiane, ao se referir ao atendimento prestado em Penedo.
A família também questiona quais avaliações foram realizadas antes da viagem, as informações repassadas sobre as condições do bebê e a ausência de uma vaga garantida na unidade de referência.
Além dos problemas relatados durante a internação, a irmã da paciente acusou um funcionário da Santa Mônica de manusear o corpo do bebê de forma brusca e desrespeitosa após a cesárea.
“Ele jogou como se fosse qualquer porcaria no chão”, relatou a tia.
Segundo a família, a cena aumentou o sofrimento provocado pela perda. A conduta denunciada ainda precisa ser apurada, com a identificação dos profissionais que estavam de plantão e a verificação dos protocolos utilizados no transporte do corpo.
O depoimento de Gleisiane, isoladamente, não permite concluir que houve negligência médica nem estabelecer quando ocorreu o óbito fetal ou se alguma conduta contribuiu para a morte. Essas respostas dependem da análise dos prontuários, exames, registros da regulação, pedido de transferência e avaliação técnica da assistência prestada.