Política
Polêmica

Sob desgaste, crises e escândalos, governo Paulo Dantas acaba em 7 meses

Redação T82

À medida que se aproxima o encerramento do mandato, previsto agora para dezembro de 2026, o governo de Paulo Dantas entra em sua fase final sob um ambiente de desgaste político e ineficiência. Apesar do discurso de continuidade e permanência "até o último dia", esta é um máxima que enaltece apenas ao próprio governador, já que o cenário que se desenha para o povo alagoano é de fragilidade administrativa, baixa aprovação popular e escândalos de corrupção, além do acúmulo de crises institucionais.

Reeleito em 2022 com pouco mais de 52% dos votos válidos, Dantas iniciou o segundo mandato prometendo “desarmar palanques” e ampliar políticas sociais e estruturantes. No entanto, passados mais de três anos de gestão, os indicadores técnicos e a percepção popular apontam um distanciamento entre o discurso inicial e os resultados efetivamente entregues, sobretudo em áreas consideradas sensíveis como saúde, infraestrutura e combate à pobreza. Além disso, Dantas terá seu governo marcado para sempre por uma gestão familiar, de palanques levantados para os seus parentes.

Um dos retratos mais contundentes desse cenário é o levantamento nacional da AtlasIntel, que posiciona Alagoas entre os piores desempenhos do país em diversos indicadores. O estado aparece na última colocação em meio ambiente e nas últimas posições em áreas como segurança pública, saneamento, transporte e ambiente de negócios. O Índice de Desempenho do Governo (IDG) evidencia não apenas dificuldades pontuais, mas um padrão de fragilidade estrutural, com impacto direto na qualidade de vida da população.

A crise de imagem também se reflete na avaliação popular. A desaprovação supera a aprovação, e a gestão enfrenta resistência significativa em segmentos estratégicos da sociedade, especialmente entre jovens e grupos religiosos. O Índice de Imagem Pública do governador, com pontuações baixas em atributos como liderança e compromisso, reforça a percepção de um governo com dificuldades de comunicação e conexão com a base social.

Além do desempenho administrativo, o governo chega ao fim marcado por escândalos envolvendo órgãos estratégicos. Na área da saúde, uma operação da Polícia Federal revelou um esquema de desvio de aproximadamente R$ 100 milhões em recursos do SUS, com suspeitas de fraudes em procedimentos médicos. O afastamento do então secretário estadual expôs fragilidades no controle interno, mas o seu retorno confirmou que ele próprio tem o aval do governador.

Paralelamente, denúncias de calotes milionários a instituições de saúde agravaram a crise. Dívidas acumuladas com entidades como a Santa Casa de Maceió e a Associação de Equoterapia de Alagoas resultaram na suspensão de serviços essenciais, afetando diretamente populações vulneráveis, incluindo crianças com deficiência. A ausência de respostas a pedidos formais via Lei de Acesso à Informação intensificou críticas sobre falta de transparência.

O histórico de investigações também pesa sobre o governo. Antes mesmo da reeleição, Dantas foi alvo da chamada Operação Edema, que apura um suposto esquema de “rachadinhas” envolvendo desvios de salários de servidores. O gestor público, inclusive, recebeu a Polícia Federal vestindo apenas uma cueca, em um hotel em São Paulo, onde estava acompanhado de garotas.

A decisão do Superior Tribunal de Justiça que determinou seu afastamento cautelar à época, com base em indícios robustos apresentados pela Polícia Federal é uma mais uma, entre tantas, mácula para a gestão de Paulo Dantas.

Do ponto de vista político, o isolamento no cenário regional também chama atenção. Enquanto outros estados do Nordeste apresentam governadores com altos índices de aprovação e protagonismo nacional, Alagoas figura entre os últimos colocados. m

Nesse contexto, a reta final do mandato se desenha como um período de tentativa de recomposição, mas com margem reduzida para reverter indicadores consolidados ao longo dos últimos anos.