Renan Filho apunhala Marcelo Victor pelas costas e racha grupo governista ao vetar Fernando Farias da vice
Quebra de acordo com o poderoso chefe do Legislativo estadual expõe guerra fria no MDB e deixa chapa com Renan Filho à beira de um colapso político
Por Redação
Em um movimento classificado nos bastidores da política alagoana como uma traição aberta e desmedida, o pré-candidato ao Governo do Estado, Renan Filho (MDB), descumpriu o pacto selado com o presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), Marcelo Victor, e deixou o ex-secretário Fernando Farias fora da chapa majoritária. Para ocupar o posto, a cúpula do MDB formalizou junto à Justiça Eleitoral a indicação de Marina Lamenha de Freitas Cavalcanti como vice-governadora da coligação "Pra Alagoas fazer história de novo".
A manobra desferiu um golpe direto no coração do grupo liderado por Marcelo Victor, principal articulador da sustentação governista no estado. Em vez de honrar a palavra e consolidar a aliança garantindo o espaço exigido por Victor para Farias, Renan Filho preferiu blindar a chapa no núcleo familiar dos Calheiros: Marina Lamenha ocupa cargos comissionados no Senado desde 2007 e atua como Auxiliar Parlamentar Sênior no escritório pessoal do senador Renan Calheiros, em Maceió.
A ata da convenção emedebista — realizada no Hotel Ritz Lagoa da Anta e registrada na noite de quinta-feira (6) — aponta a aprovação por aclamação do nome de Marina. No entanto, a rasteira aplicada por Renan Filho provocou um abalo sísmico na base aliada, criando um clima de desconfiança e hostilidade explícita no arco de alianças às vésperas do início oficial da campanha.
Porta aberta na ata mantém alarme ligado até 15 de agosto
Apesar da afronta perpetrada pela ala liderada por Renan Filho, o grupo de Marcelo Victor ainda tenta reagir nos bastidores do MDB e cobrar o preço do acordo quebrado. O próprio documento enviado ao Tribunal Regional Eleitoral prevê expressamente que a Comissão Executiva do MDB tem plenos poderes para efetuar substituições de candidatos até o limite legal, inclusive aceitando nomes de outras legendas coligadas.
Articuladores políticos avaliam que a indicação de Marina Lamenha foi uma manobra de força para empurrar o grupo de Marcelo Victor contra a parede. Como o prazo final para o registro definitivo das candidaturas se encerra em 15 de agosto, a vaga de vice permanece sob fogo cruzado e com a ameaça real de reviravoltas no xadrez eleitoral alagoano.
