Política
EM 11 ANOS

Hospital investigado recebeu R$ 950 milhões do Governo de Alagoas desde 2015

Instituto Carvalho Beltrão acumula quase R$ 1 bilhão em pagamentos enquanto órgãos de controle apuram filas cirúrgicas, mudanças na oncologia e protocolos obstétricos

Por Redação com Francês News

O Instituto Hospital Carvalho Beltrão, localizado em Coruripe, recebeu R$ 950.270.170,80 do Governo de Alagoas entre 1º de janeiro de 2015 e 21 de setembro de 2026. Os dados constam no Portal da Transparência estadual e colocam a instituição entre os principais destinatários privados de recursos da Saúde no estado.

Durante o período, foram empenhados R$ 991.311.900,63 e liquidados R$ 955.122.147,32 em favor do hospital. A maior parte dos pagamentos, R$ 950.047.070,80, saiu do Fundo Estadual de Saúde. Outros R$ 223,1 mil aparecem vinculados diretamente à Secretaria de Estado da Saúde.

Os pagamentos, isoladamente, não representam indício de irregularidade. O Carvalho Beltrão é uma instituição filantrópica conveniada ao Sistema Único de Saúde e atende pacientes de Coruripe e de diferentes municípios alagoanos.

O volume próximo de R$ 1 bilhão, entretanto, amplia a necessidade de transparência sobre contratos, metas, produção hospitalar, critérios de encaminhamento e controle das filas.



MP investiga agendamento de cirurgias


Em novembro de 2025, o Ministério Público de Alagoas abriu procedimento para apurar possíveis irregularidades no agendamento de cirurgias do SUS no Hospital Carvalho Beltrão.

A investigação foi instaurada após relatos sobre falta de transparência nas filas e o adiamento de um procedimento cirúrgico. O promotor Maurício Mannarino Teixeira Lopes requisitou documentos médicos, informações sobre o sistema de agendamento, identificação dos responsáveis pelas marcações e dados que permitissem auditar a ordem dos pacientes.

Também foi solicitada ao Ministério da Saúde uma auditoria sobre agendamentos e procedimentos realizados durante 2025. Conforme informações divulgadas na época, a apuração avançou depois que pedidos anteriores de esclarecimento não teriam sido respondidos. Reportagens locais também registraram alegações de possível interferência política na marcação de procedimentos.

Protocolos obstétricos também foram questionados


O hospital também foi citado em uma atuação do Ministério Público Federal relacionada à realização de episiotomia sem informação adequada às gestantes e sem justificativa clínica registrada.

O MPF recomendou que, antes do procedimento, as pacientes fossem informadas sobre os riscos e que o médico responsável justificasse por escrito e detalhadamente a decisão.

A recomendação não significa condenação da instituição, mas mostra que os protocolos assistenciais da unidade já foram objeto de questionamentos.

Em outra frente, o MPF buscou esclarecimentos sobre mudanças na rede de atendimento oncológico de Alagoas que envolviam o hospital. O órgão questionou se a reorganização havia passado pelas instâncias de pactuação do SUS e se poderia prejudicar o acesso dos pacientes aos serviços.

Recursos se concentraram nos últimos anos


Dos R$ 950,2 milhões pagos desde 2015, R$ 694.388.173,57 foram desembolsados entre janeiro de 2023 e setembro de 2026. O montante corresponde a aproximadamente 73% de todo o valor recebido pela instituição no intervalo pesquisado.

Somente em 2026, até 21 de setembro, os pagamentos alcançaram R$ 196.843.711,45.

O espaço permanece aberto para que o Hospital Carvalho Beltrão e a Secretaria de Estado da Saúde apresentem esclarecimentos sobre os pagamentos, as investigações e os mecanismos de fiscalização adotados.