Governo Paulo Dantas pagou R$ 694 milhões ao Hospital Carvalho Beltrão desde 2023
Instituição investigada recebeu 73% de todo o valor registrado desde 2015 durante o atual mandato; somente em 2026 foram quase R$ 197 milhões
Por Redação com Francês News
O Governo de Alagoas pagou R$ 694.388.173,57 ao Instituto Hospital Carvalho Beltrão entre 1º de janeiro de 2023 e 21 de setembro de 2026, período correspondente ao atual mandato do governador Paulo Dantas.
Os dados do Portal da Transparência mostram que, nesses três anos e quase nove meses, foram empenhados R$ 732.772.466,69 e liquidados R$ 701.271.299,71 em favor da instituição instalada em Coruripe.
O montante pago desde 2023 representa aproximadamente 73% dos R$ 950,2 milhões repassados pelo Estado ao hospital desde janeiro de 2015.
Os pagamentos são relacionados à prestação de serviços hospitalares e não constituem, por si só, evidência de irregularidade. A concentração de recursos, contudo, exige que o Estado apresente os resultados correspondentes e os mecanismos usados para fiscalizar os atendimentos.

Quase R$ 200 milhões em 2026
Somente entre 1º de janeiro e 21 de setembro de 2026, o Governo de Alagoas pagou R$ 196.843.711,45 ao Carvalho Beltrão.
No mesmo intervalo, foram empenhados e liquidados R$ 200.076.817,35. Considerando o período de quase nove meses, a média dos pagamentos supera R$ 21 milhões mensais.
O valor recebido em 2026 já ultrapassa os R$ 194,1 milhões identificados durante todo o ano de 2025 em levantamento anterior do Francês News.
Apesar da dimensão dos pagamentos, a consulta geral do Portal da Transparência não informa, na mesma tela, quantas cirurgias, internações, consultas ou exames foram entregues em contrapartida.
Também não mostra o custo médio dos procedimentos, o cumprimento das metas contratuais nem eventuais glosas aplicadas após auditorias.

Investigação foi aberta durante o atual governo
O crescimento dos pagamentos ocorreu enquanto o Ministério Público de Alagoas passou a investigar possíveis irregularidades no agendamento de cirurgias do SUS no hospital.
O procedimento foi instaurado em novembro de 2025, após relatos de falta de transparência nas filas e o adiamento de uma cirurgia. O MP requisitou informações sobre o sistema utilizado, a possibilidade de auditoria da ordem de espera, os critérios de prioridade e os usuários autorizados a alterar os agendamentos.
O órgão também solicitou ao Ministério da Saúde uma auditoria sobre os procedimentos realizados durante 2025.