Política
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Aliado dos Calheiros, PT-AL ignora esquerda e abraça político marcado por controvérsias

Legenda incorpora Marcos Barbosa, deputado que acumula passagens por diferentes partidos, acusações investigadas pela Justiça e aproximações com personagens controversos

Por Redação

O PT de Alagoas chega às eleições de 2026 com uma chapa que reúne perfis bastante diferentes. Ao mesmo tempo em que mantém nomes ligados aos movimentos sociais, à educação e ao sindicalismo, como Alycia da Bancada Negra e Izael do Sinteal, o partido abriu espaço para políticos com trajetórias construídas fora da tradição histórica da legenda.

Um dos principais exemplos é o deputado estadual Marcos Barbosa, que chegou ao PT depois de uma longa carreira construída em outras siglas. A entrada do parlamentar se dá no momento de oficialização entre PT e o MDB - comandado pelos Calheiros em Alagoas.

Em reunião no fim de julho foi formalizada a aliança, através de documento da Executiva Estadual do PT. A resolução também destaca a parceria construída entre as duas legendas no Governo de Alagoas e na base de apoio ao presidente Lula.

A aproximação não é apenas eleitoral. Em sua resolução, o PT sustenta que a manutenção da aliança com o MDB é estratégica para a continuidade do projeto político no Estado e autoriza a direção estadual a conduzir as negociações com os partidos aliados.

É nesse cenário que Marcos Barbosa passa a integrar oficialmente a chapa petista. O deputado tem uma trajetória política de quase duas décadas na Assembleia Legislativa. Foi eleito pelo PPS em diferentes eleições e, em 2022, conquistou novo mandato pelo Avante.

A trajetória de Barbosa também é marcada por episódios que ultrapassaram o debate eleitoral.

Em 2009, a Assembleia Legislativa de Alagoas sustou o andamento de um processo contra o então deputado, que havia sido acusado de ser mandante do assassinato do líder comunitário conhecido como Baré Cola. Dois anos depois, em 2011, o Tribunal de Justiça de Alagoas o absolveu por unanimidade.

Em 2014, o nome do parlamentar voltou a aparecer em uma investigação sobre um suposto grupo de extermínio em Maceió. Júnior Barbosa, sobrinho do deputado, foi preso e apontado como integrante do grupo. Em depoimentos, acusou o tio de envolvimento em homicídios. O Ministério Público pediu a abertura de inquéritos para apurar as denúncias.

Marcos Barbosa negou as acusações e afirmou que era vítima de uma disputa política e familiar. As denúncias não resultaram em condenação contra o deputado. Júnior foi morto em uma emboscada no bairro do Trapiche em 2021. A aproximação entre PT, MDB e Marcos Barbosa também é uma tentativa de se infiltrar nas comunidades de Maceió, onde JHC, candidato adversário de Renan Filho ao Governo do Estado, tem forte aceitação popular.

As mais recentes publicações de Barbosa nas redes sociais tem tido a colaboração de Patrick Almeida, conhecido como PTK, influencer que se autointitula “O Cara das Comunidades”.  Em fevereiro de 2026, o bloco carnavalesco organizado por PTK recebeu apoio do deputado Marcos Barbosa.

Meses depois, PTK foi preso pela Polícia Civil de Alagoas durante a Operação Morro do Alemão, investigação que apura uma suposta atuação do Comando Vermelho no Estado.

Segundo a investigação policial, o influenciador foi o escolhido da facção para disputar uma vaga de vereador em Maceió nas eleições de 2024 e atuar como representante político do grupo.

Em agosto, o Tribunal de Justiça de Alagoas substituiu a prisão preventiva de PTK por medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico e proibição de contato com outros investigados. A decisão não encerrou a investigação nem representou absolvição do influenciador.