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Famílias montam acampamento em frente ao Palácio do Governo para cobrar solução contra despejo nas áreas da Laginha e Guaxuma

Movimentos sociais cobram reunião com o governador Paulo Dantas, Incra e Ministério do Desenvolvimento Agrário para avançar nas negociações sobre as terras do antigo Grupo João Lyra.

Por Francês News

Cerca de mil trabalhadores rurais ligados a movimentos de luta pela terra iniciaram, na manhã desta segunda-feira (6), um acampamento em frente ao Palácio República dos Palmares, no Centro de Maceió. A mobilização tem como principal objetivo pressionar o Governo de Alagoas e o Governo Federal a avançarem nas negociações para evitar o despejo de famílias que ocupam áreas pertencentes ao antigo Grupo João Lyra, nas usinas Laginha e Guaxuma.

Segundo os organizadores, aproximadamente 5 mil famílias vivem atualmente nas áreas ocupadas e aguardam uma solução definitiva para a destinação das terras à reforma agrária. Os manifestantes reivindicam uma audiência com o governador Paulo Dantas (MDB), com o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas, Cesar Aldrighi, e com a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.

De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que organiza o protesto juntamente com outras entidades, a mobilização ocorre após a decisão da Justiça de Alagoas que encerrou o processo de falência do Grupo João Lyra, fato que, segundo os movimentos, reacendeu o temor de remoção das famílias instaladas nas áreas desde 2014.

Famílias cobram cumprimento de acordo

Em nota divulgada durante o ato, a coordenação do MST afirmou que as famílias ocupam as terras há mais de uma década, período em que passaram a produzir alimentos e estabelecer comunidades nas antigas áreas canavieiras.

Os movimentos alegam que, ao longo dos últimos anos, foram realizadas diversas rodadas de negociação envolvendo o Governo de Alagoas, o Governo Federal, representantes da massa falida do Grupo João Lyra e o Tribunal de Justiça de Alagoas. No entanto, segundo as entidades, os compromissos assumidos não foram integralmente cumpridos.

Entre os pontos citados está um acordo firmado durante as negociações iniciadas em 2016. A proposta previa a desocupação da antiga Usina Uruba, em Atalaia, para possibilitar a retomada das atividades industriais, enquanto cerca de 1.500 hectares da Usina Guaxuma e toda a área da Usina Laginha seriam destinados à implantação de projetos de reforma agrária. Conforme os movimentos, essa destinação ainda não foi efetivada.

Acampamento não tem prazo para terminar

Além do MST, participam da mobilização integrantes da Frente Nacional de Luta (FNL), do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), do Movimento Via do Trabalho (MVT) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Os organizadores informaram que o acampamento foi estruturado com barracos, cozinhas comunitárias e equipamentos para permanência prolongada e não possui previsão de encerramento. Segundo os movimentos, a mobilização continuará até que haja uma sinalização concreta dos órgãos responsáveis sobre o futuro das áreas ocupadas.

Histórico da disputa

O Grupo João Lyra, que pertenceu ao empresário e ex-deputado federal João Lyra, teve a falência decretada em um processo iniciado em 2013. O conglomerado acumulava uma dívida estimada em mais de R$ 3 bilhões, envolvendo aproximadamente 19 mil credores, além de débitos com bancos públicos, a União e ex-funcionários.

Recentemente, a Justiça de Alagoas declarou encerrado o processo falimentar, extinguiu as obrigações da massa falida e autorizou a reativação das empresas que integravam o antigo grupo empresarial. A decisão foi baseada em um plano de liquidação que incluiu acordos para compensação de créditos e o arrendamento de propriedades rurais.

Até o momento, o Governo de Alagoas não havia se manifestado sobre as reivindicações apresentadas pelos movimentos durante o protesto.