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Dedetização em escola no interior de Alagoas deixa alunos e funcionários com relatos de mal-estar

Unidade no povoado Ipuera está sem aulas presenciais há quase 30 dias após aplicação de produto; famílias cobram esclarecimentos sobre serviço e condições para retorno

Por Francês News

Uma dedetização realizada em uma escola municipal de Estrela de Alagoas, no povoado Ipuera, provocou relatos de mal-estar entre alunos e funcionários e levou à suspensão das aulas presenciais na unidade. Segundo informações repassadas à reportagem, o episódio ocorreu em 20 de julho e, quase um mês depois, ainda havia pessoas relatando sintomas que teriam começado após a aplicação do produto.

Entre as manifestações relatadas estão irritação nos olhos, problemas estomacais, dores abdominais, inchaço no rosto e falta de ar. Também foram mencionados casos envolvendo crianças, com relatos de diarreia, febre, ardência nos lábios, além do surgimento de bolhas e feridas.

A reportagem não conseguiu confirmar de forma independente que todos os sintomas tenham sido provocados pelo produto utilizado na dedetização. A relação entre a aplicação e os problemas de saúde relatados ainda precisa ser esclarecida por autoridades e avaliações técnicas.

Funcionários teriam passado mal durante aplicação

De acordo com um relato obtido pelo Francês News, a dedetização teria sido realizada enquanto alunos e servidores ainda estavam na escola. O depoimento aponta que alguns funcionários começaram a apresentar sintomas praticamente no momento da aplicação, principalmente pessoas com histórico de alergia.

Segundo o relato, houve episódios de palidez e vômitos, e algumas pessoas precisaram deixar o ambiente. Parte dos servidores teria procurado atendimento em unidades de saúde, incluindo a UPA de Palmeira dos Índios.

Ainda segundo o depoimento, uma funcionária teria precisado procurar atendimento médico em mais de uma ocasião após apresentar sintomas.

O responsável pelo relato também afirmou que a escola costuma permanecer fechada por apenas alguns dias após serviços semelhantes. Desta vez, porém, a unidade teria permanecido sem funcionamento presencial por período muito superior.

Escola está sem aulas presenciais

A situação afeta diretamente os estudantes. Segundo informações recebidas pela reportagem, as aulas presenciais estão suspensas há aproximadamente 30 dias.

Os alunos passaram a ter atividades remotas, mas pais relatam preocupação com o impacto da medida na aprendizagem, principalmente entre crianças que estão nos primeiros anos de alfabetização e famílias que não dispõem de equipamentos ou acesso adequado à internet.

Um pai que tem três filhos matriculados na unidade afirmou que a família está preocupada com a falta de previsão para o retorno das atividades presenciais.

“Meu filho está há 30 dias aproximadamente sem aula devido a essa irresponsabilidade conjunta e ninguém fala nada”, afirmou.

Empresa teria voltado ao local

Outro ponto que deverá ser esclarecido é a atuação da empresa responsável pelo serviço. Segundo relatos encaminhados ao Francês News, a empresa identificada em imagens como Truly Nolen Pest Control teria retornado à escola depois do episódio.

Também foram relatadas contratações posteriores da mesma empresa para serviços de dedetização em outros prédios públicos do município, incluindo a Escola Municipal Antônio Pinto de Araújo, uma quadra esportiva no povoado Lagoa do Ciriaco e a Creche Cria.

A informação, entretanto, ainda precisa ser confirmada documentalmente.

Comunidade cobra respostas

Pais e servidores querem saber qual produto foi utilizado, se havia autorização específica para aplicação naquele ambiente, quais eram as orientações de segurança, por quanto tempo a escola deveria permanecer vazia e quais medidas foram adotadas após os primeiros relatos de mal-estar.

Também há questionamentos sobre eventual avaliação sanitária ou técnica do prédio antes da retomada das aulas.

Outro aspecto relatado é o receio de servidores em falar publicamente sobre o caso. Segundo depoimentos, funcionários efetivos e contratados teriam medo de sofrer consequências profissionais ou serem transferidos para outras unidades.

O caso também levanta dúvidas sobre a decisão de realizar o serviço durante o período de atividades escolares. Segundo um dos relatos, a dedetização teria sido inicialmente planejada para uma creche, mas acabou sendo direcionada para a escola do povoado Ipuera.