Maceió
absurdo

BRK acumula R$ 40 milhões em multas em pouco mais de três anos à frente da água de Maceió

Diretor da ARSAL afirma que reclamações vão além da falta d'água e incluem falha na comunicação sobre suspensão dos serviços

Por Redação

A insatisfação da população de Maceió com a BRK, empresa responsável pelo saneamento na Região Metropolitana desde a privatização dos serviços de água e esgoto, já se traduz em números concretos. Segundo o diretor da área de saneamento da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (ARSAL), José Márcio Maia, a empresa já acumula R$ 40 milhões em multas aplicadas em pouco mais de três anos de atuação.

De acordo com Maia, as punições não se concentram apenas nos casos de falta d'água, mas também na forma como a empresa lida com esses episódios.

"A reclamação é geral. Não é apenas a falta d'água, mas a não comunicação da suspensão dos serviços que leva à punição da empresa", disse para o jornalista Ricardo Mota, do Cada Minuto.

Comparação com outro serviço privatizado reforça a crítica

O cenário chama atenção principalmente quando comparado a outro serviço essencial que também passou por privatização em Alagoas: a energia elétrica, hoje sob responsabilidade da Equatorial. Mesmo com reclamações próprias, a distribuidora de energia não reúne o mesmo volume de queixas relacionado à interrupção frequente do serviço que hoje marca a atuação da BRK no abastecimento de água.

A percepção de piora no serviço não fica restrita aos números oficiais. Relatos de moradores de diferentes regiões da capital alagoana indicam que a frequência de interrupções no fornecimento de água aumentou consideravelmente desde que a BRK assumiu a operação, um padrão que parece se repetir em diversos bairros da cidade.

Valor pago pela concessão gera questionamento

O montante das multas acumuladas levanta um debate mais amplo sobre a própria lógica do contrato de concessão. Ao que tudo indica, o valor pago pela empresa para assumir o serviço de saneamento na região acabou sendo baixo o suficiente para tornar as multas aplicadas pela ARSAL pouco significativas frente ao retorno financeiro da operação, o que ajudaria a explicar por que os problemas seguem se repetindo mesmo diante das penalidades já aplicadas.