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Alagoas no Anuário da Segurança Pública: estado reduz mortes violentas, mas violência contra mulheres e golpes acendem alerta

Levantamento nacional mostra queda em indicadores históricos da violência letal, enquanto feminicídios, violência psicológica e estelionato figuram entre os principais desafios para a segurança pública no estado

Por Francês News

Alagoas chega ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 apresentando um cenário de contrastes. De um lado, o estado mantém a trajetória de redução das mortes violentas iniciada na última década e deixa de figurar entre os locais mais violentos do país. De outro, indicadores ligados à violência contra as mulheres e aos crimes patrimoniais sem violência chamam a atenção e apontam novos desafios para as políticas públicas. O levantamento reúne informações oficiais das secretarias estaduais de segurança pública e de outros órgãos de todo o país.

Os dados mostram que a realidade da criminalidade mudou. Enquanto os homicídios deixaram de ser o único foco da segurança pública, crimes como estelionato, violência doméstica, violência psicológica, perseguição (stalking) e feminicídio ganharam peso nas estatísticas nacionais e também em Alagoas. O Anuário dedica capítulos específicos a esses fenômenos, indicando que eles passaram a exigir respostas cada vez mais estruturadas das autoridades.

No caso da violência contra a mulher, os números do estado merecem atenção especial. Em 2025, Alagoas registrou 94 homicídios de mulheres, contra 73 no ano anterior, alta de 28,7%. Os feminicídios passaram de 22 para 30 casos, crescimento de 36,3%, fazendo com que 31,9% dos homicídios de mulheres fossem classificados como feminicídio. Também aumentaram os registros de violência psicológica (+61,4%), perseguição (+43,8%) e descumprimento de medidas protetivas (+12,6%), indicadores já detalhados pelo Francês News em reportagens da série especial sobre o Anuário.

Outro ponto destacado pelo levantamento é a transformação dos crimes patrimoniais no Brasil. O documento mostra que o estelionato, impulsionado principalmente pelos golpes digitais, consolidou-se como um dos delitos mais recorrentes do país, enquanto os tradicionais roubos vêm perdendo espaço em diversas unidades da Federação. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública trata esse fenômeno como uma mudança estrutural na dinâmica da criminalidade brasileira.

O Anuário também dedica capítulos específicos à vitimização policial, às mortes decorrentes de intervenção policial, ao sistema prisional, à circulação de armas de fogo, aos crimes contra crianças e adolescentes, à violência racial, à violência contra a população LGBTQIAPN+ e ao tráfico de pessoas, evidenciando que a segurança pública passou a ser analisada de forma mais ampla do que apenas pelos índices de homicídios.