Golpes eletrônicos avançam em Alagoas e já representam quase um terço dos casos de estelionato
Anuário mostra que fraudes pela internet cresceram no estado, enquanto o número total de estelionatos apresentou leve redução
Por Francês News
Os golpes aplicados por meio da internet e de plataformas digitais continuam avançando em Alagoas e consolidam uma mudança no perfil da criminalidade. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que, embora o número total de registros de estelionato tenha apresentado uma leve queda no estado entre 2024 e 2025, as ocorrências de estelionato por meio eletrônico seguiram em alta.
Segundo o levantamento, Alagoas registrou 25.122 ocorrências de estelionato em 2025, contra 26.288 casos em 2024, redução de 4,5%. A taxa caiu de 816,4 para 780 registros por 100 mil habitantes.
Na contramão dessa tendência, os golpes praticados por meio eletrônico cresceram. O estado passou de 7.539 registros em 2024 para 7.828 em 2025, alta de 3,8%. A taxa também aumentou, passando de 234,1 para 243 casos por 100 mil habitantes.
Na prática, isso significa que quase um em cada três registros de estelionato em Alagoas já envolve fraude eletrônica. Em 2025, os golpes digitais corresponderam a aproximadamente 31% de todos os boletins de ocorrência por estelionato registrados no estado, evidenciando o crescimento desse tipo de crime.
O cenário acompanha uma tendência nacional identificada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em todo o Brasil, foram registrados 2.261.055 boletins de ocorrência por estelionato em 2025, alta de 2,7% em relação ao ano anterior. Já os casos de estelionato eletrônico cresceram em ritmo muito mais acelerado, passando de 286.226 para 346.753 ocorrências, um aumento de 20,6%.
O Anuário ressalta que, desde 2021, o crime de estelionato passou a abranger também as modalidades de fraude eletrônica, previstas no artigo 171 do Código Penal. Dessa forma, as estatísticas nacionais passaram a consolidar tanto o estelionato tradicional quanto os golpes praticados por meios digitais, como aplicativos de mensagens, redes sociais, plataformas de comércio eletrônico e transferências bancárias fraudulentas.
A publicação não detalha quais modalidades de fraude eletrônica predominam em Alagoas nem apresenta o perfil das vítimas. Também não atribui causas para o crescimento desse tipo de crime. Os dados se limitam aos registros oficiais encaminhados pelas secretarias estaduais de segurança pública.
Ainda assim, o levantamento confirma uma transformação observada em todo o país: a criminalidade patrimonial tem migrado progressivamente para o ambiente digital. Em vez de depender do contato físico entre criminoso e vítima, muitos golpes são aplicados por telefone, aplicativos de mensagens, falsas centrais de atendimento, perfis clonados, anúncios fraudulentos e outras estratégias virtuais.
Esse novo cenário amplia os desafios para as forças de segurança e para a população, uma vez que as investigações costumam envolver rastreamento de movimentações financeiras, identificação de contas bancárias, análise de dispositivos eletrônicos e cooperação entre diferentes órgãos policiais.
Para especialistas em segurança pública, o crescimento dos golpes eletrônicos reforça a necessidade de campanhas permanentes de orientação à população sobre cuidados ao realizar transferências bancárias, compras pela internet e compartilhamento de informações pessoais.
Embora Alagoas tenha registrado redução no número total de estelionatos, o aumento das fraudes eletrônicas demonstra que os criminosos continuam adaptando suas formas de atuação às novas tecnologias. O desafio, segundo o Anuário, não está apenas na repressão, mas também na prevenção e na conscientização dos usuários dos meios digitais.