Delegado alvo de operação da PF volta a comandar a Polícia Civil de Alagoas
Gustavo Xavier havia sido afastado pela Justiça Federal por suspeita de envolvimento em esquema de fraudes em concursos; atos publicados no Diário Oficial indicam retomada das funções
Por Francês News
O delegado Gustavo Xavier do Nascimento voltou a exercer o comando da Polícia Civil de Alagoas (PCAL) em meio às investigações da Operação Gabarito Final, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema nacional de fraudes em concursos públicos. O nome do delegado voltou a aparecer em atos da corporação publicados no Diário Oficial do Estado de Alagoas desde a quinta-feira (13), indicando o retorno à função de delegado-geral.
A movimentação ocorre enquanto está em andamento o concurso público da Polícia Civil de Alagoas, que oferece 300 vagas para os cargos de agente e escrivão e é organizado pelo Cebraspe. A situação chama atenção porque o próprio certame foi citado pela Justiça Federal como uma das razões para a manutenção do afastamento cautelar de Gustavo Xavier em junho.
Em decisão de 15 de junho, a 16ª Vara Federal da Paraíba prorrogou por mais 60 dias o afastamento de Gustavo Xavier e do agente da Polícia Civil de Alagoas Eudson Oliveira de Matos. Segundo o Ministério Público Federal, a permanência dos investigados em funções estratégicas poderia representar risco ao andamento das investigações e à lisura do concurso da Polícia Civil.
A medida cautelar havia sido determinada originalmente em 30 de março, quando a Justiça Federal afastou Gustavo Xavier do cargo de delegado-geral por 60 dias. A decisão apontou a necessidade de preservar a investigação sobre uma organização suspeita de fraudar concursos públicos. O MPF informou posteriormente que a medida tinha como objetivo garantir a integridade das apurações.
Segundo as investigações divulgadas pelas autoridades, o grupo utilizaria diferentes mecanismos para fraudar processos seletivos, entre eles candidatos substitutos, documentos falsificados, dispositivos eletrônicos e acesso antecipado a informações de provas. As apurações alcançam concursos de diferentes órgãos públicos e estados.
A suspeita envolvendo Gustavo Xavier ganhou dimensão nacional depois que a investigação passou a ser relacionada à chamada “máfia dos concursos”. O delegado foi alvo de busca e apreensão durante a operação da Polícia Federal e passou a responder à investigação sem condenação definitiva.
Apesar do afastamento da chefia da Polícia Civil, Gustavo Xavier permaneceu nos quadros da corporação como delegado. Em junho, a decisão judicial deixou claro que a medida cautelar atingia o exercício da função de delegado-geral, e não significava uma condenação antecipada.
Agora, os atos publicados no Diário Oficial voltam a atribuir a Gustavo Xavier decisões administrativas da Polícia Civil. Entre elas estão movimentações de delegados e alterações de lotação e titularidade de unidades policiais, o que demonstra que o retorno não se limita à presença formal no cargo, mas envolve novamente o exercício das atribuições de comando.
O retorno ocorre em um momento particularmente sensível para a instituição. O concurso da Polícia Civil de Alagoas está em andamento e foi expressamente mencionado pelo Ministério Público Federal quando pediu a prorrogação do afastamento. Até o momento, porém, não há indicação de irregularidade no concurso atualmente em realização, que permanece sob responsabilidade do Cebraspe.
Gustavo Xavier nega envolvimento com qualquer organização criminosa e, por meio de sua defesa, sustenta que as acusações são precipitadas e não estão acompanhadas de provas capazes de demonstrar sua participação em fraudes.
A investigação continua em andamento na Justiça Federal. Gustavo Xavier, portanto, não foi condenado pelos fatos investigados, e as acusações contra ele permanecem no campo da apuração judicial.
