Polícia
PUBLICADO NO DOE

Investigado pela PF, Gustavo Xavier promove ampla mudança na Polícia Civil após voltar ao comando em AL

Delegado-geral é alvo da Operação Gabarito Final, que apura suposta fraude em concursos públicos; no primeiro DOE após o retorno, ele assinou mais de uma centena de portarias e alterou lotações em unidades estratégicas

Por Redação com Francês News

O delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, promoveu uma ampla reorganização na corporação logo após voltar ao comando da instituição. Investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Gabarito Final, que apura um suposto esquema nacional de fraudes em concursos públicos, ele assinou dezenas de atos administrativos publicados no Diário Oficial do Estado de Alagoas desta sexta-feira (14).

O levantamento realizado pelo Francês News identificou 113 portarias relacionadas à Polícia Civil na edição do DOE, entre novas lotações, designações e revogações de atos anteriores. A maior parte das mudanças passa a produzir efeitos a partir desta segunda-feira (17).

A movimentação ocorre poucos dias depois de o nome de Gustavo Xavier voltar a aparecer nos atos oficiais da Polícia Civil, marcando o retorno do delegado ao comando da corporação. A volta acontece enquanto ele permanece no centro de uma investigação conduzida pela Polícia Federal.

Gustavo Xavier foi alvo da Operação Gabarito Final, deflagrada pela PF para investigar uma organização suspeita de fraudar concursos públicos em diferentes estados. Segundo as investigações citadas no processo, o grupo teria utilizado mecanismos como candidatos substitutos, documentos falsificados, dispositivos eletrônicos e vazamento de informações para favorecer candidatos.

O delegado nega as acusações e, conforme manifestação apresentada por sua defesa à época da operação, sustenta que não existem provas de sua participação em qualquer organização criminosa. Não há condenação definitiva contra Gustavo Xavier, e as investigações seguem em andamento.

Mais de 100 portarias no primeiro movimento

É nesse contexto que aparece a movimentação administrativa registrada no DOE. Das 113 portarias identificadas, 86 tratam de novas lotações, três de designações específicas e 24 revogam atos anteriores.

As mudanças alcançam delegados de diferentes classes e unidades da Polícia Civil, tanto na capital quanto no interior. Entre os destinos estão estruturas como DRACCO, DENARC, delegacias de homicídios, Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), unidades de atendimento ao local de crime e delegacias regionais.

A quantidade de atos chama atenção porque vários deles funcionam em sequência: primeiro uma lotação ou designação anterior é revogada e, logo depois, o mesmo delegado recebe uma nova atribuição.

Mudanças atingem áreas estratégicas

Entre os remanejamentos está o de Juliane dos Santos Silva, que deixa a 10ª Unidade de Homicídios da Capital e passa para a Unidade de Investigação de Feminicídios.

James Bernard Aita Silveira deixa a UALC 3 e passa a atuar na DRACCO. Já Leandro Martins da Silva deixa a 1ª DRP de Delmiro Gouveia e passa para a Delegacia de Atendimento à Pessoa Idosa.

Na área de combate ao tráfico de drogas, Mac Dowell Fortes Silveira Cavalcanti Filho teve revogada a designação anterior na Delegacia de Repressão ao Narcotráfico da Capital e foi lotado na 3ª Unidade DENARC Metropolitana. Antonio Lino da Silva Junior, por sua vez, deixou a UALC 2 e passou para a 4ª Unidade DENARC Metropolitana.

Alterações também atingem chefias

Outro caso relevante envolve o delegado Gilson Rêgo Sousa. Atos anteriores que o colocavam à frente da Unidade de Homicídios do 7º Seguimento da Capital e, cumulativamente, na unidade do 8º Seguimento foram revogados.

Na sequência, Gilson foi designado para responder pela Unidade de Homicídios do 7º Seguimento e também recebeu a titularidade do 23º Distrito Policial de Pilar.

As mudanças mostram que o retorno de Gustavo Xavier ao comando da Polícia Civil foi acompanhado por uma reorganização imediata da estrutura operacional da corporação, atingindo setores diretamente ligados à investigação criminal.

O movimento ocorre, entretanto, em um momento particularmente delicado para o delegado-geral. Gustavo Xavier continua sendo investigado pela Polícia Federal no caso que ficou conhecido como Operação Gabarito Final, e sua situação judicial ainda não resultou em condenação definitiva.