Itália anula extradição de Carla Zambelli e manda caso para novo julgamento
Justiça italiana aceita recurso da ex-deputada no processo sobre perseguição armada em SP; defesa comemora e prevê nova análise apenas em setembro
Por Redação
A ex-deputada federal Carla Zambelli ganhou um novo fôlego na Justiça europeia. A Itália anulou, nesta quarta-feira (1º), a decisão que tinha dado sinal verde para a sua extradição ao Brasil. O processo envolve a condenação de 5 anos e 3 meses de prisão pelo famoso episódio em que ela perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo, na véspera da eleição de 2022.
Com essa reviravolta, o caso volta quase para a estaca zero. A Corte de Apelação de Roma terá que fazer um julgamento novinho em folha para avaliar se o pedido das autoridades brasileiras cumpre todos os requisitos da lei. Vale destacar que os juízes italianos não estão discutindo se Zambelli é culpada ou inocente, mas apenas se o envio dela ao Brasil respeita os tratados internacionais. A defesa da ex-parlamentar prevê que essa nova análise aconteça em setembro.
O roteiro já é conhecido pela política do PL. Em maio, a Suprema Corte da Itália já havia barrado um outro pedido de extradição contra ela, que envolvia a condenação de 10 anos pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Naquela ocasião, os magistrados italianos foram duros e apontaram dúvidas sobre a imparcialidade do STF brasileiro, criticando o fato de o ministro Alexandre de Moraes atuar ao mesmo tempo como julgador e vítima do ataque hacker.
Desta vez, o processo que voltou para a fila de julgamento trata estritamente da confusão nos Jardins. No Brasil, o ministro Gilmar Mendes tentou acalmar os ânimos internacionais enviando garantias formais para a Itália, reforçando que o processo contra ela correu de forma limpa, regular e sem qualquer tipo de erro que impedisse a extradição. Pelo visto, os juízes de Roma preferiram olhar tudo de perto mais uma vez antes de tomar uma decisão definitiva.