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Dois dos três políticos do MDB alvo de operações da PF em AL disputarão as eleições de 2026

Marcelo Victor e Gilberto Gonçalves devem concorrer à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal; governador Paulo Dantas não será candidato neste ano

Por Francês News

Dos três políticos do MDB citados no material como alvos de operações da Polícia Federal em Alagoas, dois vão disputar as eleições de 2026. O presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor, e o ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves, colocaram seus nomes nas urnas, enquanto o governador Paulo Dantas não será candidato neste pleito.

Os casos envolvendo os três políticos são distintos e tiveram desdobramentos diferentes na Justiça. Por isso, as investigações e decisões judiciais precisam ser diferenciadas de eventuais acusações feitas durante os procedimentos.

Paulo Dantas foi alvo da Operação Edema

Em outubro de 2022, Paulo Dantas, então candidato à reeleição ao Governo de Alagoas, foi alvo da Operação Edema, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apurava suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de um esquema de funcionários fantasmas e suposta “rachadinha” na Assembleia Legislativa, no período em que Dantas era deputado estadual.

Segundo informações atribuídas ao Ministério Público Federal, a investigação apontava para um possível desvio de R$ 54 milhões. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares contra investigados.

Relatórios da investigação também mencionaram saques realizados por pessoas ligadas ao então deputado e a existência de imóveis que, segundo os investigadores, poderiam ter sido utilizados para armazenar dinheiro. As acusações, contudo, fazem parte do conteúdo investigativo e não equivalem a uma condenação definitiva.

Dantas chegou a ser afastado do cargo de governador por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas posteriormente retornou à função por determinação judicial. Em 2026, ele não disputará uma nova eleição.

Marcelo Victor teve investigação arquivada

Marcelo Victor também foi alvo de uma ação da Polícia Federal durante as eleições de 2022. Na ocasião, os agentes apreenderam R$ 146.650 em espécie, além de material de campanha e uma lista com nomes de pessoas, em um hotel de luxo em Maceió.

A PF investigava a possibilidade de o dinheiro estar relacionado à compra de votos. Marcelo Victor negou a acusação e afirmou que se tratava de uma denúncia falsa.

O caso teve posteriormente uma decisão favorável ao presidente da Assembleia. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou a ilicitude das provas obtidas na operação e restabeleceu o trancamento do inquérito. Com isso, a investigação contra o parlamentar foi arquivada.

Mesmo após o episódio, Marcelo Victor permanece na política e deverá disputar novamente um mandato em 2026.

Gilberto Gonçalves foi preso em operação da PF

O terceiro caso envolve Gilberto Gonçalves, ex-prefeito de Rio Largo. Em agosto de 2022, ele foi preso preventivamente pela Polícia Federal durante a Operação Beco da Pecúnia, que investigava suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Prefeitura.

Segundo a investigação, empresas contratadas pelo município teriam realizado 245 saques de R$ 49 mil, em operações consideradas suspeitas pela PF. A prática, conforme os investigadores, teria como objetivo evitar mecanismos de controle bancário relacionados a transações de R$ 50 mil ou mais.

A operação também apontou suspeitas de desvio de recursos federais destinados a áreas como saúde e educação. A PF informou ainda ter identificado movimentações que poderiam caracterizar tentativa de obstrução das investigações.

Gilberto Gonçalves foi afastado da Prefeitura e posteriormente preso. O ex-prefeito, que atualmente atua politicamente ao lado da família, deverá disputar uma vaga nas eleições de 2026, conforme o cenário apresentado.

Os três episódios têm naturezas e desfechos judiciais diferentes. Enquanto Marcelo Victor teve o inquérito trancado e as provas consideradas ilícitas pelo STF, os elementos relacionados a Paulo Dantas e Gilberto Gonçalves devem ser tratados conforme o estágio e as decisões específicas de cada investigação.