Renan não responde sobre delegado-geral investigado por fraude em concursos após cobrança de JHC
Gustavo Xavier foi alvo de operação da PF e chegou a ser afastado do comando da Polícia Civil
Por Redação com Francês News
O candidato ao Governo de Alagoas Renan Filho (MDB) não respondeu sobre a situação do delegado-geral da Polícia Civil, Gustavo Xavier do Nascimento, após JHC (PSDB) lembrar que o chefe da corporação foi alvo de uma operação da Polícia Federal sobre fraudes em concursos públicos.
A cobrança ocorreu durante o debate realizado pela TV Gazeta nesta quinta-feira (10), quando os candidatos discutiam a realização de concursos e a valorização dos servidores públicos. Em vez de se posicionar sobre a permanência de Gustavo Xavier ou comentar as investigações, Renan mudou de assunto.
O assunto começou quando Renan perguntou ao adversário sobre a realização de concursos públicos em um eventual governo do PSDB.
JHC respondeu que é favorável às seleções, citou o concurso para 100 novos guardas municipais de Maceió e afirmou que sua administração efetivou aproximadamente 3 mil professores. Em seguida, questionou a credibilidade dos concursos estaduais ao mencionar o delegado-geral.
“Aqui em Alagoas, pasmem, o delegado-geral da Polícia Civil foi pego num grande esquema de fraude de concursos públicos”, declarou JHC.
Renan não rebateu a afirmação nem explicou se manteria Gustavo Xavier no comando da Polícia Civil caso fosse eleito.
Delegado-geral foi alvo de operação da PF
Gustavo Xavier foi alvo de busca e apreensão na Operação Gabarito Final, da Polícia Federal. A investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos de alta concorrência em diferentes estados.
As apurações, relacionadas às investigações Concorrência Simulada e Máfia dos Concursos, identificaram suspeitas de utilização de candidatos substitutos, documentos falsificados, dispositivos eletrônicos e acesso antecipado a informações das provas. Segundo os dados divulgados sobre o caso, algumas vagas teriam sido negociadas por até R$ 500 mil.
O delegado-geral foi afastado do comando da Polícia Civil por decisão da Justiça Federal em 30 de março. A medida cautelar, inicialmente válida por 60 dias, foi posteriormente prorrogada pela 16ª Vara Federal da Paraíba.
Na ocasião, o Ministério Público Federal argumentou que a permanência dos investigados em funções estratégicas poderia representar risco para o andamento das apurações e para a lisura dos concursos.
Gustavo Xavier conseguiu retornar ao comando da corporação após uma nova decisão judicial. A retomada das funções foi confirmada por atos administrativos publicados no Diário Oficial e detalhada pelo Francês News em reportagem sobre o retorno do delegado-geral.
Retorno provocou alerta no Ministério Público
A volta de Gustavo Xavier ganhou repercussão porque ocorreu durante a realização de um concurso da Polícia Civil de Alagoas com 300 vagas para agentes e escrivães.
Em um ofício encaminhado à cúpula do Ministério Público de Alagoas (MPAL), o promotor Coaracy José Oliveira da Fonseca destacou que o delegado investigado havia reassumido justamente a instituição responsável por participar da segurança dos novos concursos.
No mesmo documento, Coaracy relatou ter recebido informações sobre possíveis tentativas de infiltração de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e grupos de pistolagem nas forças de segurança estaduais.
Após a repercussão, o MPAL anunciou o reforço da fiscalização dos concursos estaduais e informou que poderia utilizar seu Núcleo de Inteligência no acompanhamento dos certames.
Gustavo Xavier nega envolvimento com organizações criminosas. Sua defesa afirma que as acusações são precipitadas e não estão acompanhadas de provas que demonstrem sua participação nas fraudes. O delegado não foi condenado e tem direito à presunção de inocência.