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Calote no trabalhador: Paulo Dantas desconta 40% do salário de agentes de portaria sem aviso e sem explicação

Ao menos 94 trabalhadores contratados pela Secretaria de Estado da Saúde receberam cerca de R$ 1 mil a menos na folha deste mês

Por Redação

Agentes de portaria contratados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) foram surpreendidos neste mês com um desconto de aproximadamente 40% nos salários. Segundo os trabalhadores, a redução não foi comunicada previamente, não veio acompanhada de qualquer justificativa e, até a manhã desta quinta-feira (22), não havia previsão de ressarcimento.

De acordo com um dos agentes de portaria, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, o pagamento, que normalmente cai no dia 20, atrasou mais do que o habitual e só foi liberado no fim da tarde. À medida que os colegas recebiam, iam compartilhando os valores entre si e percebendo o mesmo problema. “Fazendo as contas, foi um desconto de 40% no salário de cada agente de portaria”, relatou.

Segundo o trabalhador, o abatimento foi de cerca de R$ 1.000 por pessoa e atingiu ao menos 94 agentes. Até agora, a única resposta recebida foi a de que se tratou de um erro. “Até agora não foi corrigido, nem previsão, nem justificativa nenhuma”, afirmou.

A fonte ouvida pela reportagem faz questão de ressaltar que os agentes não são terceirizados. “Somos contratados pela Sesau. O contrato de trabalho foi assinado pela própria secretaria”, disse. Ou seja, a responsabilidade pelo pagamento recai diretamente sobre a pasta, sem intermediação de empresa prestadora de serviço.

Secretaria sob investigação

O caso ocorre numa pasta que ainda tenta se recuperar de um dos maiores escândalos recentes da gestão estadual. Em dezembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Estágio IV, que cumpriu 38 mandados de busca e apreensão em Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal para apurar desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro na Sesau, num esquema estimado em R$ 100 milhões. As investigações apontam favorecimento em contratos emergenciais firmados pela secretaria e também apuram desvio de recursos do SUS. Durante a operação, a PF apreendeu o equivalente a R$ 815 mil em espécie.

O secretário Gustavo Pontes de Miranda foi alvo de medida cautelar do Tribunal Regional Federal da 5ª Região que determinou a suspensão do exercício da função pública por 180 dias. Na ocasião, ele classificou a ação da PF como abuso e defendeu sua gestão. Pouco tempo depois, no entanto, o governador Paulo Dantas (MDB) reconduziu Pontes de Miranda ao comando da Secretaria de Saúde, mesmo com a investigação ainda em andamento.