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Política

Caso Braskem expõe passado omisso de Renan Calheiros na Salgema e indenização de R$ 4,2 milhões a Renan Filho

Afundamento de bairros de Maceió deixou milhares de famílias desalojadas e levanta questionamentos sobre a atuação de agentes públicos, fiscalização ambiental e relações políticas com a mineradora

Assessoria

O desastre provocado pela exploração de sal-gema em Maceió transformou cinco bairros da capital em áreas de risco e obrigou milhares de moradores a deixar suas casas. O caso, que envolve danos ambientais, sociais e econômicos ainda em processo de reparação, também voltou a ganhar espaço no debate político alagoano. O Ministério Público Federal aponta que a mineração provocou a subsidência do solo e mantém ações para responsabilização e reparação dos danos.

Nesse contexto, o passado do senador Renan Calheiros na antiga Salgema voltou a ser questionado. Entre 1993 e 1994, ele ocupou a presidência da empresa, antes da transformação da companhia na atual Braskem. Embora o fenômeno de subsidência que atingiu Maceió tenha sido identificado décadas depois, críticos defendem que a atividade mineradora deveria ter recebido maior atenção diante dos riscos associados à operação por parte de Renan Calheiros quando esteve à frente da presidência do órgão.

A atuação dos órgãos públicos de fiscalização também está sob questionamento. O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) concedia licenças ambientais para a atividade e passou a ser alvo de questionamentos judiciais relacionados à fiscalização da mineração. O próprio MPF afirma buscar a responsabilização de órgãos públicos por possível omissão fiscalizadora, enquanto a discussão judicial sobre essas responsabilidades continua.

Outro episódio que alimentou a controvérsia política envolve o ex-governador e atual senador Renan Filho. Durante a CPI da Braskem, representantes da empresa confirmaram o pagamento de aproximadamente R$ 4,2 milhões ao sistema de radiodifusão ligado ao político, como compensação pela realocação de suas operações em área afetada pela mineração. O pagamento tornou-se alvo de críticas políticas diante da atuação pública de Renan Filho nas discussões sobre a Braskem. Em sabatina realizada na TV Band, neste sábado (12), Renan Filho foi perguntado sobre o caso Braskem, mas mas não citou que recebeu a indenização milionária da petroquímica.

O caso permanece como um dos principais passivos socioambientais de Alagoas. O MPF e o MP/AL continuam acompanhando ações de reparação, obras e medidas destinadas às comunidades atingidas, enquanto novas discussões sobre responsabilidades públicas e privadas seguem em andamento. O histórico da Salgema, a fiscalização ambiental e os acordos de indenização continuam, assim, integrando o debate político sobre quem deveria ter agido antes e quem deve responder pelos impactos deixados em Maceió.