Geral
CAOS NA SAÚDE

MPF cobra maternidade prometida para 2026, mas Governo de Alagoas adia entrega para 2028

Sesau informou ao órgão que ordem de serviço só deverá ser emitida em novembro; empreendimento ainda depende de análises da PGE, Segov e Caixa

Francês News

O Ministério Público Federal (MPF) cobrou do Governo de Alagoas informações sobre a implantação de uma maternidade pública em Arapiraca, prometida inicialmente para dezembro de 2026. Na resposta encaminhada ao órgão, porém, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) admitiu que a obra ainda não foi iniciada e somente deverá ser entregue no segundo semestre de 2028.

A cobrança foi apresentada por meio do Ofício nº 158/2026, da Procuradoria da República em Arapiraca, dentro do Procedimento Administrativo de Acompanhamento de Políticas Públicas nº 1.11.000.000724/2026-61.

O MPF deu prazo de 20 dias para que a Sesau apresentasse informações atualizadas sobre o projeto e sobre a assistência obstétrica oferecida às gestantes da região.

Os documentos obtidos pelo Francês News mostram que a cobrança teve como referência uma reunião realizada em 21 de agosto de 2025. Na ocasião, representantes do Governo de Alagoas informaram que a implantação da maternidade estava aprovada, em processo de licitação e com inauguração prevista para o fim de dezembro de 2026.

A nova resposta da Sesau revela um cenário diferente. O empreendimento, que reúne uma Maternidade de Porte II e uma policlínica, ainda se encontrava na fase final de habilitação da licitação.

A sessão pública do certame foi realizada em 20 de maio de 2026 e uma empresa vencedora foi definida. Isso, contudo, não significa que o contrato esteja pronto para execução.

Após a habilitação, o resultado ainda precisa ser publicado e submetido à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e à Secretaria de Estado do Governo (Segov). O procedimento deverá passar posteriormente por adjudicação, homologação e análise da Caixa Econômica Federal, porque a obra integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A área de engenharia da Sesau informou que, devido às restrições do período eleitoral, a ordem de serviço somente poderá ser emitida depois do segundo turno das eleições, com previsão para o início de novembro de 2026.

O prazo de execução é de 20 meses. Com isso, a conclusão da maternidade e da policlínica passou a ser projetada para o segundo semestre de 2028 — quase dois anos depois da inauguração anteriormente anunciada ao MPF.

A Sesau afirmou que acompanha o processo e destacou a publicação do Mapa de Vinculação das Maternidades da Rede Alyne. O documento orienta os fluxos das gestantes até as unidades de referência, enquanto a Central Estadual de Regulação monitora a assistência.

A resposta, entretanto, não aponta a criação de uma nova estrutura hospitalar em Arapiraca capaz de suprir a demanda antes da conclusão do empreendimento.

A falta de estrutura para partos na principal cidade do Agreste já havia provocado críticas públicas. Em agosto, a vereadora e candidata a deputada estadual Débora da Saúde questionou onde as mulheres de Arapiraca poderiam ter seus filhos diante das limitações das maternidades locais.

A manifestação ocorreu após a divulgação de dificuldades enfrentadas pelas unidades que atendem gestantes pelo Sistema Único de Saúde. Agora, os documentos encaminhados ao MPF confirmam que a maternidade estadual prometida para 2026 não ficará pronta dentro do prazo anunciado.