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PATRIMÔNIO PÚBLICO

Leilão que poderia vender sede da Casal por um terço do valor termina sem interessados

Imóvel de 3,9 mil metros quadrados no Centro de Maceió foi colocado à venda por até R$ 3,14 milhões, apesar de laudo apontar valor de mercado de R$ 9,1 milhões

Por Redação com Francês News

O segundo leilão realizado pela Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) para vender sua antiga sede, no Centro de Maceió, terminou sem interessados. O resultado foi homologado pela estatal e publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (23).

O imóvel fica na Rua Barão de Atalaia, nº 200, possui 1.600 metros quadrados de área construída e ocupa um terreno de 3.920 metros quadrados. Segundo a publicação, nenhuma proposta foi apresentada no Leilão nº 03/2026, que acabou declarado deserto.

A tentativa de venda havia chamado a atenção porque o edital permitia que o prédio fosse arrematado por R$ 3.142.888,64 na segunda chamada, o equivalente a pouco mais de um terço do valor de mercado apontado em uma avaliação encomendada pela própria companhia.

Imóvel foi avaliado em R$ 9,1 milhões

Como o Francês News revelou em setembro, um laudo elaborado pela J&V Engenharia, em junho de 2026, estimou a antiga sede em R$ 9,1 milhões. O estudo considerou o terreno, a construção, a localização e imóveis comparáveis existentes no mercado.

Apesar disso, o edital estabeleceu o lance mínimo de R$ 6.285.777,28 na primeira chamada do leilão, realizada em 9 de outubro. Caso não aparecesse comprador, uma nova rodada seria aberta apenas 30 minutos depois, com redução de 50% e lance inicial de R$ 3.142.888,64.

O menor valor correspondia a 34,5% da avaliação de mercado e representava uma diferença de aproximadamente R$ 5,96 milhões. Considerando apenas o terreno, o lance equivalia a cerca de R$ 802 por metro quadrado.

A Casal adotou como referência o valor venal atribuído pela Prefeitura de Maceió para fins tributários, em substituição ao laudo de mercado produzido meses antes. O edital não apresentou nova avaliação técnica indicando uma desvalorização do imóvel.

Segunda tentativa também fracassou

Esta não foi a primeira tentativa frustrada de alienação. Um leilão realizado em 4 de agosto também terminou sem propostas nas duas chamadas. Depois desse resultado, a Casal modificou os valores e lançou o novo procedimento.

O edital registrava ainda débitos municipais de aproximadamente R$ 59,7 mil, valores penhorados em cartório de R$ 77,4 mil, hipotecas e averbações de indisponibilidade. Parte das despesas de regularização poderia ser descontada da última parcela a ser paga pelo comprador, mediante autorização da companhia.

A estatal justificou a venda pela transferência de sua estrutura administrativa para o Complexo do Farol. Com o segundo leilão deserto, o Diário Oficial não informa se haverá uma terceira tentativa, se os valores serão novamente reduzidos ou se a Casal fará uma nova avaliação.

Futuro da companhia está em discussão

O resultado foi divulgado em meio às discussões sobre o futuro da Casal e de seus empregados. Nesta semana, a Procuradoria-Geral do Estado recomendou o veto integral ao projeto que cria garantias para os funcionários em eventual extinção, privatização, concessão ou transferência do controle da companhia.

O parecer e o leilão são procedimentos distintos. A publicação desta sexta-feira não estabelece relação entre a venda do imóvel e uma eventual privatização da estatal.