Com caminhões e faixas, trabalhadores da Ceasa fazem novo protesto contra concessão em Alagoas
Comboio saiu da Central de Abastecimento com destino à Assembleia Legislativa; manifestantes também direcionaram críticas ao presidente do Ideral, Davi Maia
Francês News
Permissionários, comerciantes, caminhoneiros e trabalhadores da Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa) realizaram uma nova mobilização contra a concessão do complexo à iniciativa privada nesta terça-feira (27). O grupo saiu em comboio da unidade, localizada no bairro da Forene, em Maceió, com destino à Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE).
Vídeos e imagens enviados ao Francês News mostram caminhões circulando com faixas contrárias ao projeto. Em um dos veículos, os manifestantes escreveram: “Ceasa é do povo. Não à privatização”. Outro caminhão transportou um carro de som e uma faixa com críticas ao presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Alagoas (Ideral), Davi Maia.
O ato começou após uma jornada de trabalho iniciada ainda na noite anterior. Segundo os organizadores, parte dos funcionários, carregadores e comerciantes chega à Ceasa por volta das 23h e permanece no complexo até aproximadamente as 14h.
Mesmo depois das atividades de descarga, organização e comercialização dos alimentos, os trabalhadores decidiram seguir em manifestação até o Legislativo.
Protesto direciona críticas ao presidente do Ideral
A mobilização desta terça ampliou as críticas ao presidente do Ideral, órgão estadual responsável pela administração da Ceasa. Uma faixa instalada no carro de som afirma que Davi Maia “não é dono da Ceasa” e atribui a ele declarações sobre a tramitação do projeto na Assembleia.
As frases reproduzidas no material representam a versão dos manifestantes. Até a publicação desta matéria, não havia posicionamento público de Davi Maia sobre o conteúdo da faixa ou sobre a nova mobilização.
Os trabalhadores cobram a divulgação dos estudos técnicos, financeiros e jurídicos utilizados pelo Governo de Alagoas para justificar a concessão. Em entrevista concedida anteriormente à rádio Farol FM, representantes dos permissionários afirmaram que souberam da proposta pelas redes sociais e que um pedido de informações protocolado em setembro ainda não havia sido respondido.
Projeto continua na Comissão de Constituição e Justiça
O Projeto de Lei nº 2.123/2026 autoriza a concessão da Ceasa por 30 anos, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. A futura concessionária poderá administrar, manter, modernizar e explorar economicamente o complexo por até 60 anos.
A proposta chegou a ser incluída para votação em segundo turno no dia 15 de outubro, mas retornou à Comissão de Constituição, Justiça e Redação depois que os deputados Delegado Leonam (União Brasil) e Lelo Maia (MDB) apresentaram emendas.
De acordo com o sistema de acompanhamento legislativo da ALE, o projeto permanece na CCJ e aguarda a designação de uma nova relatoria.
Trabalhadores temem alta nos preços dos alimentos
Os permissionários defendem melhorias na infraestrutura e na segurança da Ceasa, mas sustentam que os investimentos devem ocorrer com a manutenção da gestão pública.
A principal preocupação é com o período posterior aos dois anos de transição previstos no projeto. Depois desse prazo, os valores cobrados pela ocupação dos espaços poderão ser reajustados conforme os preços de mercado, sem que o texto estabeleça previamente um teto.
Os comerciantes argumentam que eventuais aumentos poderão resultar no fechamento de pequenos negócios, demissões e encarecimento de frutas, verduras e outros produtos distribuídos para feiras, supermercados, restaurantes, hotéis e hospitais.
Segundo estimativas apresentadas pela categoria, a Ceasa reúne aproximadamente 500 permissionários e movimenta cerca de 5 mil empregos. O Governo de Alagoas afirma que não pretende vender o patrimônio e que os estudos para a concessão foram elaborados pela Fundação Getulio Vargas desde 2024.
O espaço permanece aberto para manifestação do Governo de Alagoas, do Ideral e de Davi Maia.