Bolsonaro mandou matar Lula? Entenda o que diz a denúncia
Mapeamento de buscas do Google sobre 'Bolsonaro mandou matar Lula' resgata denúncia da Procuradoria-Geral da República no STF, que aponta ciência do ex-presidente em articulação golpista e plano de envenenamento
Por Redação
As buscas pela expressão "Bolsonaro mandou matar Lula" registraram forte alta nos mecanismos de pesquisa após uma mobilização digital articulada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O movimento das redes sociais resgatou os detalhes da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a existência do plano "Punhal Verde Amarelo", elaborado para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
A peça acusatória apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, em 18 de fevereiro de 2025, atribui a Jair Bolsonaro o conhecimento e o aval às articulações que visavam impedir a posse da chapa eleita nas Eleições de 2022. Contudo, no âmbito jurídico, a denúncia se distingue de uma ordem direta e individualizada de assassinato.
O plano "Punhal Verde Amarelo" e o monitoramento de autoridades
Segundo a denúncia enviada ao STF, o documento batizado de "Punhal Verde Amarelo" foi impresso no Palácio do Planalto em 9 de novembro de 2022 pelo general da reserva Mário Fernandes, então assessor da Presidência. O texto previa o uso de armamento pesado, dispositivos explosivos e envenenamento para eliminar as lideranças políticas e a "neutralização" de magistrados para viabilizar um golpe de Estado.
A PGR fundamentou a acusação no rastreamento de registros de entradas no Palácio do Alvorada, arquivos digitais apreendidos e trocas de mensagens no aplicativo WhatsApp. Em um dos áudios anexados, Mário Fernandes relata ao tenente-coronel Mauro Cid uma conversa com Bolsonaro sobre o momento de execução das ações, no qual o então presidente teria avaliado que a diplomação das autoridades em 12 de dezembro não encerraria o prazo para a intervenção.
Os dados reunidos na investigação indicaram que a operação estava pronta para ser executada em 15 de dezembro de 2022, mas não avançou devido à ausência de adesão do Comando do Exército.
Enquadramento penal e situação jurídica
A denúncia da PGR incluiu Jair Bolsonaro e outros 33 investigados por crimes como tentativa de golpe de Estado (artigo 359-M do Código Penal), abolição violenta do Estado Democrático de Direito (artigo 359-L) e participação em organização criminosa armada.
Juridicamente, o oferecimento da denúncia significa que o Ministério Público Federal identificou indícios de autoria e prova da materialidade dos atos contra as instituições democráticas. A acusação sustenta que o ex-presidente integrava o núcleo diretivo da organização criminosa e tinha ciência da estratégia extrema do grupo. A responsabilização final de cada acusado depende da conclusão das ações penais em curso no Supremo Tribunal Federal.