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Renan Filho cita ex-secretários como “técnicos”, mas gestões tiveram investigações e denúncias

Alexandre Ayres e Rozangela Wyszomirska comandaram a Saúde de Alagoas em períodos marcados por casos envolvendo respiradores, nepotismo e uso de recursos públicos

Francês News

Ao defender a escolha de especialistas para comandar a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), Renan Filho (MDB) apresentou Alexandre Ayres e Rozangela Wyszomirska como exemplos da “gestão técnica” realizada durante seus mandatos como governador.

A declaração foi feita no debate promovido pela TV Gazeta na quinta-feira (10). A passagem dos dois ex-secretários pela pasta, entretanto, ocorreu em períodos marcados por denúncias, operações policiais e apurações relacionadas à utilização de recursos públicos.

A existência das investigações e denúncias não significa que os ex-secretários tenham sido condenados ou responsabilizados por todas as irregularidades atribuídas às respectivas gestões.

Alexandre Ayres comandou a Saúde de Alagoas entre 2019 e 2022, período que incluiu a pandemia de Covid-19.

Durante sua administração, a pasta enfrentou denúncias de nepotismo no Laboratório Central de Alagoas (Lacen). O caso levantou questionamentos sobre a presença de familiares em funções vinculadas à estrutura pública da saúde.

Outro episódio envolveu a compra de 50 respiradores realizada por meio do Consórcio Nordeste. Os equipamentos foram pagos, mas nunca entregues aos estados.

A negociação foi relacionada à Operação Ragnarok, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia para investigar possíveis fraudes documentais atribuídas à empresa contratada para fornecer os aparelhos.

O caso dos respiradores envolveu governos de diferentes estados integrantes do consórcio e passou a ser analisado por órgãos policiais e de controle. Não há, nas informações apresentadas, registro de condenação de Ayres relacionada à operação.

A gestão também foi alvo de questionamentos relacionados aos pagamentos recebidos pelo então secretário-executivo da Saúde, Marcos Ramalho, considerado um dos principais auxiliares de Alexandre Ayres.

Dados do Portal da Transparência apresentados na denúncia apontaram que Ramalho recebeu R$ 343,9 mil em plantões durante os primeiros seis meses de 2021, além da remuneração do cargo de secretário-executivo.

Em alguns meses, os vencimentos totais teriam ultrapassado R$ 72 mil. Os pagamentos provocaram questionamentos sobre a compatibilidade entre a função administrativa exercida e o volume de plantões remunerados.

Rozangela Wyszomirska comandou a Sesau entre 2015 e 2017, durante o início do primeiro governo de Renan Filho.

Em maio de 2016, quando ainda estava à frente da secretaria, ela prestou depoimento à Polícia Federal para esclarecer o suposto descumprimento de uma decisão da Justiça Federal.

A determinação judicial exigia a realização urgente de uma cirurgia ortopédica para uma paciente. A apuração buscava esclarecer por que a ordem não teria sido cumprida no prazo estabelecido.

No ano seguinte, já fora do comando da Sesau, Rozangela foi conduzida coercitivamente à Polícia Federal durante uma operação realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU).

A investigação examinava suspeitas de fraudes na Saúde de Alagoas. A condução para prestar depoimento, contudo, não equivale a condenação ou comprovação de participação nos crimes investigados.

Os episódios colocam em discussão o discurso apresentado por Renan Filho sobre o caráter técnico de suas escolhas para a Saúde. O espaço permanece aberto para manifestações do candidato, de Alexandre Ayres, Rozangela Wyszomirska e Marcos Ramalho.